segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Horácio

- "Vocês concordam com a venda da casa? Iremos começar então uma pequena reforma, apenas pintar os cômodos para valorizar o preço de venda."
Foi assim que minha mãe tinha começado um assunto que seria muito delicado. Não pela venda da casa em si. Todos concordávamos que era melhor que ela fosse para um apartamento menor, onde teria mais segurança, já que estávamos seguindo nossos caminhos. Mas o ponto mais importante ela disse depois:
- "Já que vocês concordam, vamos ter que doar o Horácio. Ele fica em pânico quando ouve fogos de artifício e suja as paredes da casa. Não poderemos continuar com ele."
O impasse foi gerado. Não era justo que ele pagasse por isso. Que ficasse na casa de alguém até o fim da reforma e depois poderia se mudar com ela. Mas ele era um perdigueiro, cão de caça. Não tinha como ter qualidade de vida num apartamento de dois quartos. E depois de muita conversa e indicações, foi decidido que Horácio moraria com uma das moças que trabalhavam na casa. Ela adorava o cão e tinha se sentido honrada com o convite.
No dia em que o cachorro foi embora, a comoção tomou conta da casa. Horácio, óbvio, não entendia nada daqueles carinhos em excesso antes dele partir, devia achar que estava indo apenas dar o passeio diário com Eleusa.
No manhã seguinte os pintores chegaram e começou o trabalho. Todos sentiam falta do Horácio, que era brincalhão e de bem com a vida. No meio da tarde, enquanto estava ao telefone, ouvi um barulho na porta. Fui até o olho mágico e não vi ninguém. Voltei para minha conversa e dessa vez o som veio mais forte, agora acompanhado de um choro bem baixo. Larguei o telefone e não acreditei quando abri a porta e vi Horácio pulando em cima de mim, feliz por ter voltado para casa. Ele conseguiu fugir e achou o caminho de volta.
Não era justo. Horácio não podia ir embora. E por isso, voltou, mesmo sem ser convidado.

13 comentários:

Madame Mim disse...

Bel, eu amo cachorro!
Sei de várias histórias de cães perdidos que acharam o caminho de volta, alguns até meses ou anos depois do sumiço.
Não tem foto do Horácio, não??
Beijos, :).

Madame Mim disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dante Accioly disse...

Nossa! Isso é sério? Esse cachorro é um fenômeno!!!!!

Jow disse...

Que saudade do Horácio!!!

Bel Lucyk disse...

- Madame Mim, o Horário viveu antes da era digital. Vou escanear uma foto e colocar nesse post. Ele era lindo demais.
- Dante, isso é real! Eu quase tive um ataque do coração quando vi o bichinho! Lindo demais!
-Jow, nem fale. Sonhei com ele um dia desses, daí fiquei com a história na cabeça. Será que ele ainda tá vivo? beijos

Manuzica disse...

Corta o coração nos despedirmos dessas criaturinhas, né?

Sorte a tua e dele tb..que ele encontrou o caminho de casa. Por isso dei um tempo de cachorros..não tenho nem espaço para cuidá-los. A gente acaba amando tanto esses peludinhos..e depois chega a hora do adeus...nossa, gosto nem de pensar. Bate saudade do meu Tiquinho. srsr

Bjocas!

nai disse...

Bel, o Marco tinha um desses, a gente morava a uns 10km da casa um do outro e quando dava na "telha" ele aparecia lá em casa, ou ia com o Marco e voltava sozinho pra casa dele, era o Givago, saudoso Givago, aliás era a cara do Zeca.

bjs

Paula Menna Barreto Hall disse...

Nossa que bonitinho o Horário saudoso! Risos, você e os cachorros. Já está me contaminando. Boa, muito boa!! beijos

Bel Lucyk disse...

- Manuzica, obrigada pela visita! Eu amo cães... imagina a minha cara quando vi o Horácio! Hoje tenho um cão que não mora comigo e lembro dele todos os dias!
- Nai, que maneiro! Antes de nascer, minha mãe tinha um cachorro que fazia visita matinal para toda a família (meu avô e tio)! Acredita? E tem gente que acha que cachorro é burro! ora
- Paula, eu já estou sentindo que você ama sim os cães! beijos

Fafa disse...

Fico tentando imaginar a cena...Lindo demais genteee

Jow disse...

Uar! coloca outra história bbem légal para eu comentar!

Bróder disse...

O melhor era chegar em casa e ver ele vindo em nossa direção, dançando e sorrindo (ele tinha os dentinhos pra fora, lembra?)... Muito querido!

Bel Lucyk disse...

Dani Broder,
como esquecer?
Eu acha a coisa mais fofa aqueles dentinhos tortos e ele vindo em nossa direção sambando. Era lindo demais! beijos