sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Assalto na Via Expressa

O trânsito estava infernal naquele final de tarde em Fortaleza. Quem conhece a cidade, sabe que engarrafamento em ruas como Antônio Salles, Pontes Vieira e outras são inevitáveis a partir das 6 da tarde. O caminho que eu pego para ir para casa sempre acaba passando por uma dessas.
Depois de 40 minutos parada na Pontes Vieira, já chegando à Virgílio Távora, me lembrei de um caminho que um taxista me ensinou há algum tempo e decidi que ia pela Via Expressa. O sinal abriu, ouvi algumas buzinas e fui em direção à Via, local em que o trânsito fluia muito bem. Para chegar em casa, parei num sinal próximo à Pde. Antônio Tomaz, que estava tranquila. Eis que lá estava eu, feliz da vida, ouvindo Apocalyptica, quando alguém bate no vidro:
- "Abre o vidro! Abre o vidro!"
- "Hã?"
Levei uma fração de segundos para entender o que estava acontecendo. Sim, era um assalto. Todos os meus amigos daqui sempre me alertaram sobre a violência local, mas eu nunca dei muita importância, até porque tomo minhas precauções. Mas confesso, que nesse dia, não tomei: pegar a via expressa de noite e sozinha... não foi a melhor opção do mundo.
- " Passa a grana, bacana! Passa a grana!"
Disse um adolescente de aproximadamente 15 anos, tremendo, com um pedaço de pano no rosto e um canivete na mão.
-"Eu não ando com dinheiro não, meu amigo."
Quem me conhece sabe bem disso. Eu nunca ando com dinheiro. Só com cartão. Tentei manter a calma, mas senti minhas pernas tremerem, enquanto as pessoas nos carros ao lado olhavam para frente, fingindo que nada estava acontecendo ao redor delas.
- "Me dá a bolsa!"
Pensei rapidamente em tudo o que tinha na minha bolsa - ipod, celular, carteira (com todos os meus cartões), maquiagem e outros itens que nunca faltam numa bolsa e pensei em argumentar com o menino, pois percebi uma certa insegurança nele.
- "Pra que? Você vai usar?"
- "Não. Mas quero tudo o que tem dentro."
Nesse momento comecei um diálogo com ele, que durou menos de 30 segundos, mas na minha cabeça, foi uma eternidade....
- "Então tá. Eu gosto muito dessa bolsa. Vou te dar o que tem dentro dela, ok? Você gosta de maquiagem?"
- "Porque tá perguntando?"
- "Quero saber se o que tem na bolsa vai ser útil pra você... Gosta de maquiagem?"
- "Não, né? Mas a Dotôra gosta."
- "As minhas maquiagens são usadas. Você vai dar alguma coisa usada pra sua namorada? Se fosse eu, era motivo de término de namoro. Nunca dê nada de segunda mão pra ela, ok?"
- "É né..."respondeu ele envergonhado.
- "Gosta de O.B.?"
- "hã?"
- "O.B. - Absorvente interno. Nós, mulheres, usamos às vezes, quando estamos naqueles dias, sabe? Você vai precisar disso?"
- "Hã... não."
- "Você é não é gay, né??"
- "Não. Porque a pergunta, rapá?"
-"Acho então que você não ia gostar desse telefone, né? É meio mulherzinha..."
- "É verdade... Hei, moça. O sinal abriu."
- "Opa. Nem percebi. Então tá. Tchau."
- "Hei, e a carteira? Passa pra cá agora!"
- "Não dá mais tempo! O povo já tá buzinando. Preciso ir. Até mais!"
Ao arrancar com o carro, vi pelo retrovisor a cara do pequeno delinquente, ainda tentando entender o que tinha acontecido, com o canivete na mão e o pano na outra, levando várias buzinadas, pois ainda não tinha saído do lugar...





7 comentários:

Paula Menna Barreto Hall disse...

Caraca, Bel. Você é doida e sortuda. A cena é ótima e engraçada, mas fiquei preocupada também. Se cuida!! Estarei em BSB sim senhora, me liga, 3361-1380, me paga um chopp?? Risos. Vamos, vamos, vamos...beijos

Maricota disse...

Kakakakakakakaka
Surtou de vez??? Começou um diálogo com o pequeno assaltante e só faltou perguntar como vai a família, se passou o reveillon bem.. rsrs
Quem lê a história pensa que foi tranquilo.. mas pense num susto que vc passou!!!
Tomara que esteja td bem com vc!!!
Beijão Bel!!!

Bel Lucyk disse...

Paula, essa foi só uma história! Eu nao fui assaltada. Nunca! Graças a Deus! rs rs
Quanto ao telefone,já está anotado e quando eu chegar em Bsb a gente vai combinar de sair pra um chopp! Beijos
- Maricotinhaaaa! Tudo bom? Que bom vc por aqui! Pois é, menina! Imagina dialogar com um assaltante? Aooonde? Mas que seria engraçado dar uma volta no cara, seria. Mas espero que isso continue na esfera da ficção. Beijos

Antonio Ximenes disse...

Bel.

Você se tornou minha "Ídola"... rs.
Você foi uma "cara de madeira"... enrolou o cara... rsrsrsr.

Tudo bem que abrir o vidro para um assaltante armado de canivete... foi uma atitude de nervosismo mesmo... já que ele ia levar um "tempinho" para quebrar o vidro com "canivetadas"... rs.

Confesso que já fui assaltado nesta nossa terrinha umas trÊs vezes e fico muito p... com a falta de policiamento.

Estamos tendo que nos adaptar com uma realidade de violência.

Mas.

Você usou estilo e elegância para se salvar.

Parabéns.

Abração pra tu. (e cuidado)rs

Madame Mim disse...

Guria, mandou muito bem.
E deu sorte!
Depois de ser assaltada, eu peguei de odio de todos os bandidos...certamente passaria na bala se tivesse chance.
beijos

Bróder disse...

É o quê?!!!!
Adorei o texto!!!:)

Bel Lucyk disse...

- Antônio, essa história nao é real. Thanks God! Mas se fosse, adoraria passar o ladrão pra tras desse jeito! eheheheheh
- Cris, nunca fui assaltada!
- Dani Broder, dk a pco chego aí. beijo