sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Corporativismo Feminino

Ana e Bárbara eram amigas desde os 10 anos de idade. Eram daquelas amigas que dividiam tudo: brinquedos, papéis de cartas, roupinhas de boneca, roupas... enfim, eram amigas inseparáveis.
E continuaram assim, mesmo quando Bárbara foi estudar em uma outra escola, para satisfazer a vontade de seus pais. Por ela, continuaria estudando com sua amiga. Foram crescendo e, além de dividir tudo, viraram boas confidentes. Ana contava de suas paixões e Bárbara,que ainda preferia brincar de pega-pega, queimada e pique-esconde do que se interessar por meninos, ria e achava graça do sofrimento de sua amiga. Mas claro, dava todo o apoio do mundo.
Um dia, Ana contou para Bárbara que iria se mudar. Não seriam mais vizinhas. Prometeram que seriam amigas para sempre, mesmo que não se vissem todos os dias. E continuaram assim: apesar de morarem na mesma cidade e de sempre passarem o final de semana na casa de uma ou de outra (principalmente na casa de Bárbara, que tinha piscina!), instituiram também os bilhetes e cartinhas. Já eram crescidas e não queriam mais aquelas enormes coleções de papéis de carta. E passaram a usá-los para se comunicarem. Uma não podia perder nada da vida da outra.
Aos poucos, Ana foi fazendo novos amigos em seu novo bairro e escola. E a vida de Bárbara foi seguindo. Ela já estava se interessando também por garotos, tinha se apaixonado por um e eles estavam começando a namorar. Aos poucos, os caminhos das duas foram se afastando.
Moravam numa cidade em que o melhor evento do ano era a festa agropecuária. Esse era o maior evento daquele pequeno mundo. Nesta época, o primeiro amor de Bárbara já tinha acabado e ela foi para a festa com seus irmãos. Reencontrou sua velha amiga, Ana e passaram a noite conversando, como se o tempo não tivesse passado e o último bilhete que uma tinha mandado para a outra tivesse sido entregue no dia anterior. Ana contou que tinha se apaixonado e estava namorando um rapaz que tinha se mudado para cidade há pouco tempo. Aos 15 anos, acreditava que ele era o homem de sua vida! Bárbara continuava com seu jeito de menina e ria dos planos mirabolantes da amiga. No final da noite, trocaram telefones para combinarem de ir para a festa no dia seguinte juntas.
Mas o destino fez com que Ana tivesse uma crise de alergia e sua mãe a proibiu de sair de casa. Bárbara foi sozinha, com seus irmãos e amigos. Assim que chegou, conheceu um menino lindo. Mais velho, tinha uns 17 anos. Se olharam e na primeira oportunidade, Adriano veio conversar com ela. E passaram a noite juntos, rindo, conversando, se beijando e se conhecendo. Bárbara voltou para casa feliz da vida. Estava se apaixonando novamente e a sensação de borboleta no estômago era impagável!
No outro dia, assim que acordou, ligou para Ana. Estava ansiosa para contar para sua amiga os acontecimentos da noite anterior e combinou de ir para casa dela para atualizar as novidades. Quando Ana abriu a porta de casa,
Bárbara já foi falando:"- amiga, estou apaixonada!"
Ana riu e disse: "Que bom! Me conta tudo sobre isso! Como você está apaixonada? Te encontrei antes de ontem e você estava descrente dos homens?"
E ela respondeu "- Pois é, mas ontem conheci um cara lindo! Gentil! Cuidadoso! Divertido! Passamos a noite conversando e claro, nos beijamos."
"- Me conta tudo! Como ele é? Que legal! Vamos sair agora com nossos namorados! Esquema casal!"
"-Ana, ele é lindo! Lindo! Tem 17 anos, é alto. Tem um estilo atlético, sabe? Acho que faz academia. Aliás, sim, ele faz academia. Malha na Proforma. É amigo do Vicente. Tem o cabelo preto, liso, jogado de lado. Tem olhos tão negros quando o cabelo e uma boca... ai... que beijo bom!"
Durante a descrição de sua amiga, as feições de Ana mudaram. Ela esperou que ela terminasse de contar e perguntou:
"- Bárbara, qual o nome dele?"
"- Adriano, amiga. Não é lindo?"
"- Lindo nada! Amiga, você passou a noite com meu namorado!"
Bárbara ficou sem ação. Pediu desculpas. Não tinha nem idéia do que tinha feito. Sentiu vergonha, quis morrer. Enquanto isso, Ana pegava o telefone:
"Alô. Adriano? Tudo bom, meu querido? Como foi a noite ontem? Ah, sério? Você não saiu e casa? Que engraçado... estou com minha melhor amiga na minha frente dizendo que passou a noite com uma pessoa com o seu nome e com as suas características. Não é muita coincidência?...
Olha só, Adriano. Acabou, ok? Não me procura mais."
Bárbara continuava sem ação, só conseguia pedir desculpas para sua amiga. Ana deu um abraço na amiga e foi para o quarto, disse que queria ficar sozinha e precisava pensar. Bárbara foi para casa a pé, meio perdida, sem rumo.
Uma semana depois, Ana ligou para Bárbara: "- Oi, amiga. Tudo bom? Como você está?"
"- Ana, continuo querendo te pedir mil desculpas.... eu não tinha como saber"
Bárbara responde:"... passou. Não se preocupe. Vamos para o último dia da pecuária hoje? Ouvi dizer que tem um show super bacana e que todo mundo da escola vai. O que você acha?"
"- Claro, amiga. E o seu ex?"
"- Amiga, virou ex. Quero te apresentar um carinha super interessante da escola. Estou apaixonada! Te busco às 8, ok?"








4 comentários:

Madame Mim disse...

Já passei por historinhas parecidas.Inclusive uma muuuuito parecida.
Muita gente pensa que não existe amizade pra valer entre mulheres, né?
Azar das mulheres que não tem amigas de verdade, eu tenho algumas poucas e ótimas, pau pra toda obra.
Adorei.
beijos

Bel Lucyk disse...

- Cris, concordo! Quem não acredita em amizade verdadeira entre mulheres é pq nunca teve amigos de verdade! E, thanks god, não tenho que reclamar dos meus amigos. Nem os da vida toda, nem os mais recentes! êêê beijos

Roberta disse...

Bacana Bel.. mais um texto sensacional! bjao

Bel Lucyk disse...

Beta, vc é uma dessas amigas, né? =) amo tu, friend