quarta-feira, 11 de março de 2009

Questão de ética


João Marcelo sempre se gabou de sua honestidade. Na verdade, ela nunca tinha sido realmente colocada à prova, mas ele honrava seus compromissos, pagava suas contas em dia, enfim, era condizente com seus ideais e princípios.
João Marcelo adorava criticar os outros. Sempre colocava defeito ou via algum problema ético na atitude de um amigo ou outro. Ele até se tornava chato, sempre tendo uma verdade para dizer para alguém, mesmo que não fosse pedida sua opinião. Esse era João Marcelo: um defensor dos princípios éticos da sociedade.
Um belo dia, voltava para sua casa depois do trabalho e viu uma batida de carro daquelas bem idiotas em que o carro da frente para no sinal amarelo e o de trás acelera achando que consegue passar também. O carro da frente era um gol bola verde. O de trás, um chevette azul. Com o impacto da batida, o da frente atravessou o sinal fechado e parou um pouco a frente. João Marcelo parou no sinal e ficou observando os dois carros. O chevette seguiu o carro, ultrapassou e foi um pouco mais à frente. Parou um pouco e seguiu em frente, bem devagar. O gol aos poucos foi em direção ao chevette, que já tinha virado a esquina. Quando o sinal abriu, Joao Marcelo pensou que veria os dois carros logo depois da curva e seus respectivos motoristas conversando sobre a fatalidade. Ledo engano, o cara do gol estava conversando com um agente do detran que estava logo após a curva e o chevette, que era culpado, fugiu.
João Marcelo ficou fulo da vida! Achou um absurdo o cara ter fugido, pois observando a cena de longe, achou que o motorista ia parar um pouco mais à frente para resolver a situação. Chegou em casa contando para sua esposa, indignado com o acontecimento. Ana Paula o ouvia atentamente e concordava em gênero, número e grau com seu digníssimo!
No dia seguinte, acordou atrasado para uma importante reunião com um cliente em que estava tentando agendar esse encontro há meses. Esse cliente era importante e, caso o negócio fosse realmente fechado e conseguisse aquela conta, sua promoção finalmente sairia do papel.
Ele estava bastante excitado com a possibilidade e resolveu passar rapidamente na padaria para tomar um café à caminho do trabalho. Entrou no estabelecimento correndo, fez seu pedido para viagem e voltou para seu carro, quando percebeu que ao estacionar, havia arranhado o corolla ao lado. Pensou por alguns instantes em o que fazer. Pensou no seu trabalho, no que ganharia e enquanto ligava seu fiat punto, decidiu deixar de lado tudo aquilo em que defendia, pois não tinha tempo para esperar o dono do outro voltar para negociar. Para amenizar sua consciência, repetia para si mesmo enquanto seguia para seu importante compromisso: "é só um arranhão. É só um arranhão..."

2 comentários:

Aplauda disse...

Eita!!! Muito loca a história hein.... é verdade a ética para algumas pessoas depende das circunstâncias....!!!

Bel Lucyk disse...

Oi, Igor! =)
Era essa a idéia que eu queria passar com esse texto- de pessoas que sao honestas e éticas, dependendo da situação. Odeio gente assim! Sou a favor das pessoas corretas. Sempre! bj procê