quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mente Inquieta

Enquanto o milho cozinhava, mil coisas passavam pela sua cabeça.
Começou lembrando de onde veio a vontade de comê-lo: ela sentia vontade desde o sábado, quando abrira a geladeira de sua mãe e avistara as espigas vistosas. Elas fariam parte do cardápio do dia das mães, mas sua irmã estava proibida de comer milho. Para que ela não ficasse com vontade, todos foram privados dele.
Ela voltou para sua casa na madrugada de domingo, sentindo suas baterias recarregadas! Enquanto ia para o trabalho, já no dia seguinte, se recuperando da ressaca das tequilas da véspera, ria sozinha enquanto lembrava do final de semana maravilhoso que teve: reencontro com sua cidade, família, amigos, cachorro.
Riu enquanto se lembrava de seu avô, que tanto brincou com ela sobre o CD que ela fez especialmente pra ele na última vez em que lá esteve. Quando abriu a porta, ele começou a cantar uma música do Jackson do Pandeiro que ela nem se lembrava de ter gravado. Na hora de sair, disse para o avô que iria gravar uma pérola para o próximo encontro dos dois.
Seus pensamentos foram interrompidos, naquela manhã, pelo telefonema de sua irmã: seu avô havia sido atropelado. Estava na UTI. Tudo o que ela queria era jogar tudo para o alto e voltar para casa. Para sua família. Ver seu avô. Tinha medo de que algo mais sério acontecesse e de não estar junto das pessoas importantes. Sua calma só foi restabelecida no dia seguinte, quando conversaram por vários minutos. Seu avô reclamava muito de dor, mas seu bom humor e um pedacinho da música de Jackson do Pandeiro cantarolada por ele, fizeram-na ter certeza de que o pior havia passado.
Mas começou a questionar sobre a distância. Começou a questionar sobre a saudade. Sobre a vida em que vinha levando. Começou a se sentir meio confusa, perdida. Ela gostava de seu trabalho, dos amigos, da sua rotina. Mas a saudade de casa doía como nunca.
Enquanto o milho cozinhava, pensava sobre tudo isso. Estava tentando colocar a cabeça no lugar. E ser racional, como aprendeu a ser para lidar com os problemas mais difíceis. Sabia que talvez ainda fosse preciso ficar mais. Mas, agora admitia que em algum momento iria voltar pra casa. Mas agora já não era hora de pensar nisso... a panela apitou e era hora de comer milho cozido. E só.

8 comentários:

Vivian disse...

...pensar que cada bago
da espiga pode representar
uma história de nosso
caminhar...

tomara todas estas histórias
tenham o mesmo sabor de
um milho quentinho como
este das lembranças.

bj, linda!

Felipe Campbell disse...

A dúvida é voltar pra qual casa?

Mas eu discordo.

Fafá Póvoas disse...

Belzinha,aqui ou acolá,o que importa é você ser FELIZ!

Amooo

Bel Lucyk disse...

- Vivi! Suas visitas aqui são sempre tão bem vindas! =)
- Bóris, o que vc acha? rs rs já te falei sobre isso. Oraaaaa Beijocas, querido!
- amiga, eu sei disso... obrigada por tudo, sempre. Te amo.

Camila Máximo disse...

No final, tudo acaba bem!
Beijos imensos, Belzinha!

claudete disse...

Bel, o que houve com Mourinha? fiquei bem preocupada...ou é uma de suas tiradas literárias ?:(
Cuide-se, querida linda.Tô voltando de Buenos Aires. Ainda iremos lá juntas! Vinhos,vinhos, Vinhas? Em setembro? Te espero no Curitiba!
tia detinha

Madame Mim disse...

Dizem que nossa casa é onde está nosso coração.
Mas tem sempre algum lugar que tem um pedaço maior do coração, né não?
Sinto assim, mesmo sendo cigana.
beijos

Bel Lucyk disse...

- Cacá, tbém acho que no final dá tudo certo!
- Tia, dessa vez foi real. Te mando um email contando! Ai, Buenos Aires com minha tia querida vai ser perfeito! Amooooo
- Cris, concordo com o que vc diz. Ando pensativa...