quarta-feira, 10 de junho de 2009

Família Urubu

Esse era o apelido simpático que minha família tinha na década de 80: todo mundo só se encontrava em velórios e enterros de parentes. Por causa dessa sina, meu avô e seus irmãos resolveram criar a festa da família, na nossa fazenda. A tradição durou três anos (a última festa aconteceu 10 anos depois), mas foram inesquecíveis.
De todas, a melhor foi a primeira, que durou um final de semana. Estava um frio tão absurdo que lembro de me embrulhar com o edredon e ficar perto da fogueira ouvindo histórias de quando meus pais e tios eram crianças. Também lembro de ficar radiante por conseguir um espacinho no quarto do meu tio avô, já falecido, pois ele era uma das pessoas mais queridas da família. Ali também tive uma das minhas primeiras paixonites, por um primo mais velho. Ele era lindo, super carinhoso com todo mundo e eu ficava vermelha todas as vezes que ele se aproximava! Claro que foi uma paixão platônica e ele nunca soube disso, mas foi um dos meus primeiros amores.
Na primeira noite, acordamos de madrugada com a chegada de um tio, soltando fogos de artifício e cantando: "acorda Maria Bonita, levanta vem fazer o café! O dia já vem raiando e a polícia já está de pé!" Óbvio que depois disso, ninguém mais dormiu. Tinha também sessão de karaokê e até hoje me lembro da minha mãe cantando feliz da vida "nessa longa estrada da vida, vou correndo não posso paraaaaaaaar".
A farra com os primos também era muito boa. Conheci boa parte deles ali e brincávamos até tarde da noite de pega-pega, 7 pecados, esconde-esconde, queimada... Tinha um deles que apelidamos de papagaio, que corria para a piscina e pulava grintando: Jerônimooooo! Lembro que ninguém aguentava esse cidadão. Principalmente quando ele resolvia fazer isso dirigindo um carrinho amarelo que tinha por lá!
No domingo, já no final do dia, todo mundo com aquele olhar de tristeza e já nostalgia no ar, um dos meus primos sumiu. Ele era um danado. E é irmão de um dos melhores amigos que tenho nessa vida. A família inteira se mobilizou para achar o garoto, que parou ao lado do meu tio e disse:
- Você tá vendo esse povo todo fazendo esse rebuliço?
- Aham
- Pois é, eles estão me procurando!

foto das crianças na festa da família



9 comentários:

Marcelo Faccenda disse...

Gente.. parece até foto da campanha da OMS pra erradicação da esquistossomose...

Bel Lucyk disse...

Pois é! Vc deve ter reconhecido a foto, que foi usada na campanha mundial. ;)

Madame Mim disse...

KKKKKK, Bel, adorei!!!
Tenho uma tia do interior de Sp, que fica procurando notinhas de falecimento no jornal. Não perde um velório ou enterro e chora mais do qq parente, kkkkk.
Ela deve ser alguma parenet perdida tua.:)
bjos

Bel Lucyk disse...

Cris, essa sua tia deve ser uma figura! kkkkkkkk
beijos

Anônimo disse...

E eu, que chorei no velório errado? Só quando percebi que não tinha ninguém conhecido naquela capela é que me toquei e saí
'Devagarzinho..como quem dança de luto...'
Melhor fazer muuuuuita festa, sempre! Aproveitcha agora, menina!

Bel Lucyk disse...

Chorar no velório errado! kkkk
Isso me lembra uma situação hilária que aconteceu. Depois vira um post! =)

Dani disse...

O problema não é chorar no velório errado, mas quando temos crises de risos no certo, como aconteceu no velório da tia Rosa! Lembra? hehehehehe

Primo disse...

Peraí! A família tem esse apelido porque a imensa maioria torce pro melhor de todos os times! Heheh! Contagem regressiva pra sua volta...

Bel Lucyk disse...

- Dani, vai ser sobre isso o meu post! kkkkkk
- Primoooooo, nuuuunca! Só a parte puoooodre da família torce praquele timeco! kkkkk Contagem regressiva! Beijos