terça-feira, 21 de julho de 2009

Torpor


Corpo cansado. Antes de abrir o olho, já se sentiu tonto. Mais uma vez, prometeu a si mesmo que não beberia mais. Reforçou o juramento depois da décima vez em que corria para o banheiro.
O azedo tomava conta da casa. A prostração, de seu corpo.
Queria levantar, ir ao médico ou à farmácia. Tentou se mover. Decidiu ficar ali: sentado no chão, apoiado no vaso, pensando na vida. Ultimamente as coisas estavam confusas. Beber era uma boa saída. Estava sozinho. As contas de casa atrasadas. Já não ia ao trabalho há uma semana. E revezava entre o choro e a bebida nas poucas horas em que ficava acordado. Sua mulher tinha saído de casa. O amor tinha acabado: o dela. Ele ainda sofria. Tinha se distanciado dos amigos porque não aguentava que as pessoas apontassem seus erros. Principalmente porque ele reconhecia cada um deles. Mas ainda não estava pronto para admitir. Nem para si, muito menos para o mundo. O escuro da sua casa era mais seguro. O frio, o sujo, a fome, a ressaca, o odor. Daquela merda que existia há anos dentro de si, ele entendia bem.

6 comentários:

MaxReinert disse...

Ótimo texto!
Já passei por essa situação!!!!!
hehehehe

Fafá Póvoas disse...

Ahahaha cheguei em casa agora!! Quem nunca passou por essa situação que atire a 1ª pedra! ahahahahahaha

Love uuu

Marcelo Faccenda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vivian disse...

...retratos do cotidiano,
sem máscaras.

um beijo, linda!

Bel Lucyk disse...

- Max, Fafástica e Marcelo, é isso mesmo! Todo mundo já passou por isso alguma vez na vida.
- Vivi, infelizmente são retratos. A idéia é que não sejam cotidianos! =)

Madame Mim disse...

Faz um tempão que tomei meu ultimo pooorre, desses daí do texto, deu até agonia de lembrar.

Mas bota um final feliz aí nesse texto, pô, tadinho do rapaz.:)

beijos