domingo, 9 de agosto de 2009

Pescaria

Os sábados na fazenda eram sempre inesquecíveis. As crianças mal esperavam o dia amanhecer e já corriam para o curral para verem as vacas serem ordenhadas. De lá, o leite era fervido. Depois, a avó colocava achocolatado e farinha de milho e todos faziam farra enquanto se deliciavam com o café da manhã.
Então, era chegada a hora de tirar o pijama, escovar os dentes, colocar calça, meia, tênis , casaco e ir à caça de minhocas. O evento do dia era a pescaria com os pais, tios e avô, que quando apareciam na varanda da casa para preparar o equipamento de pesca, já avistavam as crianças prontas, com as varas no chão, as rolhas e um saco cheio de iscas.
No caminho até a represa, iam brincando e correndo, ignorando o frio da manhã. A empolgação era muita grande. A represa ficava a uns 300 mts da casa e era muito emocionante passar por mata-burros, pular cancelas, passar embaixo do arame... quando lá chegavam, corriam até o pequeno riacho, que era formado pela água da represa (que por causa do frio, ficava enevoada) e lá começavam a primeira etapa da pesca.
Era dado início à competição entre os primos: quem pescava mais tilápias ou piabas em menos tempo. Nessa primeira parte, geralmente os adultos apenas ficavam arrumando as varas, colocando a isca, entregando para as crianças e depois tirando do anzol o prêmio. Em seguida, era hora deles brilharem: pescar traíras ou surubins. Talvez um tucunaré (com muita sorte, pois é um peixe noturno). As crianças mais velhas gostavam dessa parte. Era naquele momento, já na represa, que as conversas fiadas, filosofias e os quitutes enviados pela avó eram devorados. As mais novas, por sua vez, voltavam felizes para a casa, passando pelos mesmos obstáculos da ida, correndo até a cozinha para contar aos que ficaram o que tinham pescado e como tinha sido emocionante.
De tarde, todo mundo ia para a varanda, esperar os outros chegarem da represa. Ali começava mais uma parte da festa: acompanhar a limpeza dos peixes e brigar para ver quem teria direito de estourar a bexiga dos bichos. O dia terminava com peixe frito, histórias para contar e a ansiedade pelo dia seguinte, que seria mais uma vez cheio de aventuras por lá.

4 comentários:

Madame Mim disse...

Bel, toda vez que leio sobre avós lembro dos meus.
Saudade do caramba.
bjos

Bel Lucyk disse...

é, eu ando assim também. Saudosa deles. =)

Renata disse...

que lindo texto, Belzinha!
saudades de vc e da sua criatividade cotidiana... Passo aqui para matar a saudade de ti.. bjooo!!!!

Bel Lucyk disse...

Renatinha, que saudadeeeee!
Beijo grande, amigona! =)