segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Imagine a cena:


você acorda cedo. Aliás, mais cedo do que deveria. Sua aula vai começar às 9. São 6 da manhã. Sem sono, você resolve correr: se levanta, troca de roupa, calça o tênis. Vai ao banheiro gelado, escova os dentes, penteia o cabelo. Procura o elástico que tinha deixado por lá na véspera. Não encontra e volta para o quarto. Abre sua gaveta e encontra um outro prendedor ao lado do seus brincos da sorte. O efeito não é o mesmo, mas depois do brinco, prende seu cabelo como pode. Liga o Ipod, vai até a cozinha, come uma maçã, bebe água e abre a porta. Sai e começa seu exercício.
Não muito longe dali, uma moça começa a sentir contrações. Acorda o marido, pois é hora de Maria nascer. Enquanto ele liga para o médico, a mulher, já sentindo as dores do parto, vai em direção ao carro. O homem chega com a mala, que está pronta a semanas para esse momento: ir para a maternidade. Precisam atravessar a cidade. Sorte que são seis da manhã de um sábado. Nesse dia, a essa hora, não tem trânsito em Brasília. A mulher chora enquanto o marido, pressionado pelo sofrimento da esposa, fura sinais e anda acima da velocidade.
Daqui a pouco, você e essa nova família vão se encontrar. Daqui a pouco o marido vai chegar até você a 100 km por hora. Você vai se assustar quando ouvir a buzina, mas vai ser apenas por uma fração de segundos. O carro, que não parou na faixa, te atropela porque você não fez o sinal de vida e simplesmente passou sem olhar para o lado, porque, afinal de contas, são seis horas da manhã e você está na faixa de pedestre na cidade onde as pessoas a respeitam.
Você poderia ter ido para o parque correr, como faz todos os dias, mas ficou com preguiça de pegar o carro. Você poderia ter ficado dormindo ou passando o tempo em casa, quieta. Você poderia ter olhado para os lados antes de atravessar a rua. O marido poderia ter feito um caminho diferente. O marido poderia ter ido mais devagar para conseguir frear a tempo. Mas não, tinha que ser assim: naquela hora, sua vida chega ao fim. Daqui a pouco, a de Maria começa.

9 comentários:

Vivian disse...

...mazelas do destino.

ainda bem que aqui é ficção...

ou não?

beijo imenso, querida linda!

saudades de vir aqui..

Bel Lucyk disse...

Ficção sim!
Vivi, sinto falta das suas visitas tbém! =) Beijocas

MaxReinert disse...

Corra Lola, Corra! fellings!

Mas é assim mesmo, não?
Um fio sutil segura nossas vidas... e, as vezes, ele se rompe!

Gostei, obviamente!

Ludmila disse...

ei doida, que crônica psico-deprê-morbida é essa???? vc está precisado de sol e vento! vem pra cá vem! beijo!!!

♥ρ Я ї ﻛ © ї ℓ ∂ ♥ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bel Lucyk disse...

- Max, que bom que vc gostou! Como disse, seus textos foram minha inspiração! =)
- Lud, juro que não tô nem um pouco deprê. Tô ótima, minha querida amiga! Mas é spe bom ter uma desculpa pra ir praí. Entao tá, tô arrasada! kkkk Saudades sempre!
- Pri, como assim seu último dia? Fico muito feliz e honrada em saber que vc vem aqui quase todos os dias. Não deixe de vir e manda notícias, tá? Beijos e saudades! PS - ninguém mais me abastece com chiclete! kkkkk

RC disse...

Pegar o carro para ir correr. Taí uma coisa que não entendo.

Madame Mim disse...

Mas vc qse me mata de susto!:P
Pensei que tu tivesse sido atropelada, guria.
Ficou ótimo o texto.
bjos!

Bel Lucyk disse...

-RC,vc esqueceu que as coisas em Brasília são assim, meio estranhas? kkkk
- Eu, atropelada?Espero que jamais! rsrs Pensei no texto num dia que acordei mesmo cedo pra fazer exercício e depois fui pra uma aula chata de gestão internacional.Tive que arrumar o que fazer! kkkk beijocas