segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Associação Livre


Associação Livre: método que consiste em exprimir indiscriminadamente todos os pensamentos que acodem ao espírito, quer a partir de um elemento dado (palavra, número, imagem de um sonho, qualquer representação), quer de forma espontânea.

(Laplanche e Pontalis, 1967/1971, p. 69)

Eu tenho sérios problemas de concentração. Há tempos faço um exercício no caminho do trabalho e ainda não obtive êxito: o objetivo é acompanhar uma música do começo ao fim. Em dois segundos meu pensamento já está tão longe que só volto a prestar atenção no final. E aí, coloco para tocar novamente e tento mais uma vez. Ás vezes, repito 3 ou 4 vezes. Todas sem êxito.
E claro, isso acontece quando estou deitada, pronta para dormir. Os pensamentos vão passando pela minha mente e geralmente não me atenho em nada. E eles vão passando e mudando de assunto numa velocidade... ontem isso aconteceu, como sempre. E de repente me peguei pensando na quantidade de portas que eu tinha que conferir pra dormir antes de ir pra cama quando morava na casa em que passei minha adolescência. A casa era enorme e eu só conseguia dormir depois de checar se tudo estava trancado. E era muita porta! Em seguida, já emendei outro pensamento, concluindo que hoje em dia é super tranquilo: só preciso conferir as portas da cozinha e sala (e da geladeira...). Aí comecei a me perguntar porque estava pensando na quantidade de portas da minha antiga casa! Como é que minha cabeça tinha ido parar lá?
Fui fazendo um exercício contrário, tentando lembrar porque estava pensando nisso. Foi difícil lembrar, mas a associação foi mais ou menos assim: horas antes, meu primo estava na minha casa e fomos assistir filme, como fazemos sempre. Não estávamos prestando atenção porque não parávamos de conversar e decidimos assistir Cilada (um seriado do Bruno Mazzeo que passa no Multishow). Em seguida, ia passar um especial dos Beatles e como gostamos muito da banda, resolvemos conferir.
O especial, na verdade, era um filme muito, muito, muito trash chamado Help!, (lançado em 1965) em que o Ringo Starr usava um anel enviado por uma fã, que na verdade era um acessório de sacrifício, que não saía do dedo da pessoa que o usava até que ela estivesse morta. Durante o filme, um cientista louco o persegue porque quer o anel e os indianos também, porque querem sua vida. Trash. Por causa do filme, contei para meu primo o trauma que tenho de usar anel: raramente o faço. Quando uso, é no polegar ou em casos extremos, como festas e por tempo determinado. Vou explica porque:
Quando fiz 15 anos, meus pais me deram de presente um lindo anel de esmeralda, acompanhado de um par de brincos, com a mesma pedra (ainda tenho o brinco. O anel... bem, se foi). Eu adorava aquele anel! Era lindo, delicado e discreto! Mas minha irmã mais velha também adorava meu anel. E um dia, enquanto nos arrumávamos para ir para uma festa, ela o pediu emprestado. Como eu também queria colocar um, ela me ofereceu um dela. Quando comecei a colocar o dela no dedo, vi que estava apertado.
Avisei: "Ih, não serve."
Mas ela queria muito o meu. E resolveu ajudar: com toda a força do mundo, empurrou seu anel para o meu dedo, enquanto falava: "Cabe, ele cabe!"
E após alguns minutos e muita força, o anel finalmente entrou. E em questão de segundos, obviamente, o dedo começou a inchar. Corri para o lavabo e ensaboei o dedo. Tentei tirar. Nada. Minha irmã apareceu com um óleo de amêndoas. Besuntei o dedo. E nada do anel sair. E enquanto isso, o dedo foi ficando roxo. Corremos para o hospital e lá disseram que não tinham equipamento para tirar. E aí, minha mãe falou do ourives da cidade. E lá foi ele, usando uma roda com serra para salvar meu anular. Lembro de fechar os olhos e me encolher inteira: o dedo estava muito inchado e o anel era muito fino. Qualquer deslize e eu me machucaria. No final, deu tudo certo: o anel foi serrado e meu dedo saiu quase ileso. Depois disso, nunca mais consegui colocar anel sem ficar com uma sensação de desconforto.
Voltando à quantidade de portas que eu precisava conferir antes de dormir, cheguei a conclusão que minha cabeça só pode ter ido parar lá porque eu lembrei do lavabo da minha casa, (onde esfreguei freneticamente o sabão enquanto tentava tirar o anel) que ficava próximo à escada, onde tinha uma das muitas portas que eu conferia se estava trancada antes de dormir. Só para constar: no térreo, eu conferia a porta que dava acesso à churrasqueira, lavanderia, garagem interna e o portão da garagem interna, além da que dava acesso à escadaria, que levava ao andar de cima. Já no andar de cima, tínhamos que manter trancadas a porta da cozinha (que dava para uma escada externa que levava para o quintal), a porta do hall de entrada (além da entrada, óbvio) e a do corredor que dava acesso aos quartos. E depois de 9 portas devidamente trancadas eu estava tão cansada que descobri que talvez seja por isso que eu não sofria de insônia naquela época. E também porque eu era magrela.

5 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Olá, querida*
Belíssima postagem e muito adequada ao momento! Meus Parabéns*
Desejo um Maravilhoso 2010, com muito Amor neste seu coração lindo*
Obrigada por tudo este ano. Você foi muito importante.
Beijos, Linda!
Renata

Maricota disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Fiquei assistindo um pedaço desse filme.. também achei totalmente trash e depois de um tempo começou Irritando Fernanda Young!!!

Putz.. em relação ao anel.. quem nunca teve um anel preso e a sensação de desespero?? Afeeee..

E aí garouta.. como estão as coisas aí??

Beijoss

Bel Lucyk disse...

Renata, fefliz 2010 pra você tbém.
Maricotinha... por aqui tá tudo indo. Nao tenho mais companhia para comer brownie. buáaáá Como tá sua semaninha de férias? Sardade! bjs

Joana disse...

ah não! esse texto está muito grande! faça um resumo para mim quando chegar em casa! ora! Mixórdia!

Bel Lucyk disse...

Jow! Para de ababelar os comentários do meu blog! Vc está mto tramposa! Oraaaaa