quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Reencontros

Sempre imaginara como seria aquele reencontro. Ela sabia que um dia isso ia acontecer. Mesmo que fosse só depois de 20 anos depois daquele dia. Do dia em que decidiram que não valia mais a pena ficarem juntos. Esperava que cada um tivesse com sua vida feita. Provavelmente casados. Ela teria 3 filhos. Sempre quisera ter 3 meninos. Ele teria uma menina, que foi sempre o seu sonho.
Esse era apenas um dos pontos em eram diferentes: ela adorava acordar cedo, ele não levantava da cama antes das 12 nos finais de semana. Ela era bem humorada sempre, ele era ranzinza na maior parte das vezes. Ela amava vinho. Ele odiava e era louco por cerveja. E música sertaneja. Ela não suportava a moda de viola. Ele fumava. Ela era viciada em chocolate. Amavam filmes e adoravam cachorro. Eram incontáveis as vezes em que se imaginavam casados, com seus três filhos (uma menina), seus cachorros e a casa. Ela acordando cedo para fazer mil coisas e ele curtindo preguiça com os filhos no quarto até a hora do almoço, quando fariam a comida, todos juntos, ouvindo música e se divertindo.
Mas depois de alguns anos, descobriram que seriam muito mais felizes separados. E lá no fundo, ela imaginava que o reencontro seria intenso. Sempre imaginava a cena de que, apesar de estarem casados com outras pessoas, depois de algum tempo, descobririam que não poderiam mais viver um longe do outro. E passariam o resto de seus dias juntos. E plenos. Outra hipótese é que se reencontrariam e seria estranho. Eles não saberiam o que dizer um ao outro. Ficaria aquele clima de desconfiança, de desconforto. E cada um seguiria sua vida sabendo que no fundo, bem lá no fundo, algum sentimento ainda existia. Também já tinha imaginado um reencontro na padaria, no fim de tarde. Os dois estariam na fila do pão. Conversariam por horas. Ele mostraria a foto da filha. Ela mostraria os filhos. Falariam sobre a vida, ficariam satisfeitos com as conquistas e caminhos que cada um tinha tomado e ficaria sempre aquele sentimento bom em relação a história dos dois.
Mas ela nunca imaginou que seria assim: que se encontrariam em pleno supermercado, na véspera de natal. Que trocariam meia dúzia de palavras. Que nenhum dos dois ainda estivesse casado. Que depois de 30 segundos descobririam que não tinham nada pra dizer um ao outro. Sem mágoas, sem expectativas. Nada. Ele simplesmente fazia parte do passado dela. E que o sentimento que ficaria desse reencontro seria nenhum. E que imaginar o reencontro e que alguma coisa aconteceria era parte de uma fantasia que existia só na cabeça dela. E a vida... finalmente seguiu em frente.

2 comentários:

Cintia disse...

Muito bom... muito bom mesmo!!!!
Será que comigo será assim? Será que um dia nos encontraremos e teremos aquela sensação de que acabou mesmo?? Ou tocará aquela musiquinha de caixinha de música...? Tempo... só o tempo!

Cintia disse...

Muito bom... muito bom mesmo!!!!
Será que comigo será assim? Será que um dia nos encontraremos e teremos aquela sensação de que acabou mesmo?? Ou tocará aquela musiquinha de caixinha de música...? Tempo... só o tempo!