domingo, 16 de maio de 2010

Mural

No mural, só fotos antigas.
Foto de seu primeiro dia de aula, quando sua mãe arrumou cuidadosamente seu cabelo com dois coques. Outra havia sido tirada enquanto tomava mamadeira com os irmãos; tinha três ou quatro usando o enfeite do arranjo de flores que a mãe ganhava nos aniversários; tinha foto na piscina ou tentando andar de bicicleta. Foto da família inteira e retratos apenas dos irmãos. Tinha também foto dos cachorros que a familia tivera até ali. Uma das que mais gostava era a que sua avó estava cheia de si, sentada no sofá enquanto fumava um  cigarro daqueles bem fininhos: aquela mulher que exalava charme agora vivia num mundo distante.
A foto em que sua irmã ainda criança imitava seu cachorro, sentados um do lado do outro, ambos com a lingua de fora também era muito boa. Adorava a do tamboril, em que estava no colo da melhor amiga de sua mãe. Tinha no máximo 4 anos quando essa foi tirada. As fotos em que estava sempre com a Emilia também lembravam bons momentos: aquela boneca acompanhava sempre. Os dias em que a velha tv ia para o conserto e o espaço vazio virava casinha de bonecas ou palco de apresentações também tinham sido fotografados. E algumas daquelas fotos que traziam tão boas lembranças da infância estavam lá.
Os retratos na fazenda também não faltaram. Aquele lugar tinha sido muito importante, assim como a casa em que cresceu ou a casa dos avós...
Olhar aquelas fotos todos os dias ao deitar e ao acordar era um ritual interessante. No fundo, tinha a esperança de descobrir em que momento daquele havia se perdido. E talvez, ao descobrir, poderia seguir em frente.

3 comentários:

camilamaximo disse...

Nossa, Bel, adorei!
Adorei mesmo!
Keep writing, hehehehe
Beijocas da Cacá.
E aquele almoço, sai ou não sai???

Bel Lucyk disse...

Cacá, obrigada!
tava com saudade das suas passadas aqui. Oraaaa
o almoço sai sim! certamente! beijo grande

Fafá Póvoas disse...

Belíssimo texto amiga!

Amo vc e obrigada por ontem!!