sexta-feira, 25 de junho de 2010

E o vento levou...

Houve uma época em minha vida em que eu andei muito de ônibus. Quando digo muito não é exagero. Tudo começou quando vim estudar em Brasília e ainda morava no interior. Todos os dias eram 3 horas no total, mas nem reclamo muito: o ônibus era escolar e nos buscava na porta de casa, onde nos  deixava ao término das aulas. Por volta do segundo ano, quando as provas bimestrais eram no início da manhã e o comboio só partia para casa no início da tarde, aprendi a me virar. E confesso que nessa época eu adorava a aventura. Primeiro porque eu me sentia muito independente. Segundo porque eu podia ouvir minhas músicas num pequeno walkman até chegar em casa. E voltar de roletão era muito mais demorado que nosso confortável ônibus escolar o que me rendia quase o dobro de tempo perdida no mundo musical do que levaria normalmente.
Já na universidade, continuei utilizando o mesmo meio de transporte para chegar até lá, até que o motorista parou de ir até a faculdade. E por causa disso, passei a pegar 4 ônibus por dia. Morar longe era complicado, principalmente porque meu curso era integral, mas cheio de janelas. Nada me restava a não ser passar o tempo no Ceubinho (ala central do minhocão da UnB), biblioteca ou matar aula e pegar o primeiro ônibus para minha casa.
Pouco depois disso, finalmente vim morar com minha irmã mais nova na capital. Na época tivemos o cuidado de alugar uma kit bem em frente ao Hospital Universitário. Em tese, dava para ir a pé assistir as aulas. Na prática, vivíamos pegando um ônibus para nos deixar em frente ao campus. Ficamos nesse lugar por um ano, quando meu irmão também veio morar conosco. Agora, o apartamento era maior, mas também mais distante da UnB e eu já começava a estagiar. Foi aí que começou meu inferno no transporte coletivo candango: às vezes, usava deste meio de transporte até 8 vezes por dia, pois meu horário na universidade continuava picado e eu estagiava nas horas vagas. Além disso, não existia ônibus direto e um trajeto simples se transformava em duas conexões por trecho.
E foi por isso que, logo depois, quando eu tive meu primeiro veículo, jurei, num tom assim meio Scarlett O'Hara que nesta vida nunca mais andaria de ônibus. Quem ouve isso, a primeira vista, e sem saber do histórico, pode me achar uma pessoa preconceituosa. Na verdade, não era isso. Eu já passei muito tempo da minha vida dentro de um ônibus. Pior, não era dentro de um, era dentro de vários ônibus por dia. E o sentimento de aventura e independência que eu tinha na época da escola se transformou em pesadelo.
Meu primeiro carro deve ter chegado em 2002 e desde então nunca mais fiz uso do transporte coletivo. Até quando estive sem carro, por um motivo ou outro, acabava pegando carona ou, em última instância, táxi. Mas, roletão, jamais!
Mas nessa vida, nada como o tempo... e no início do ano, quando minha irmã passou o mês de janeiro inteiro viajando, deixei meu carro, gentilmente apelidado de azul de fome, com minha mãe, enquanto usava o dela, que acabou também viajando em fevereiro por outros motivos. Eu sei que quando ela voltou eu já tinha decidido não pegar meu carro de volta e passei a dividir o carro com minha irmã(coisa que fazíamos em 2002). Esse formato continua dando certo. Claro que nem sempre tenho um veículo a disposição. E às vezes eu acabo andando de ônibus. Hoje o contexto é completamente diferente: distância, tempo de viagem, periodicidade... e eu sei que nos 15 minutos que às vezes passo dentro de um Zebrinha  são tranquilos. Hoje em dia não me acompanha mais o desespero, cansaço e sofrimento de anos atrás. Até que enfim, andar de ônibus virou... apenas andar de ônibus.

4 comentários:

rchia disse...

Você acha andar de zebrinha "normal"? É piada, né? Já pego o 24?!

Bel Lucyk disse...

Juro! eu prefiro zebrinha do que qqr outro. Nunca peguei o 24 mas já peguei sem querer o 22 e andei por Brasilia inteira até chegar em casa! ehehehehhe

Stefânia Barreto disse...

Bel,

Eu também já passei muito por isso...fui ter o meu primeiro carro só em 2004, então entendo perfeitamente o que você está falando.
Mas o engraçado é que eu sempre falo para o Ale que quando mudarmos para fora do país, eu não terei carro, só vou andar de metrô, ônibus ou tram...pois em países da Europa por exemplo, o transporte público funciona que é uma beleza! Acho que ainda temos muito o que progredir aqui...mas um dia chegamos lá, não é?

Beijos e vamos marcar a seção pipoca, viu? Pode ser lá em casa, daí eu preparo os quitutes que estou devendo...

Bel Lucyk disse...

Stefânia,
o mundo europeu é muito diferente do nosso! Lá nem eu ia me importar! Bem que eu não ando sofrendo e como vc viu na segunda, sempre dá tudo certo. Aliás, obrigada a vocês que me garantiram a volta para casa! ehehehe
Vamos marcar a sessão sim! Vai ser ótimo! Se nao for na sua house, é na minha, que aí vc mata saudade do Zequia!

Beijocas