sábado, 12 de junho de 2010

Em ritmo de copa do mundo

Há dois dias eu praticamente respiro copa do mundo. Li vários textos sobre o assunto, ri muito sobre o Galvão no Twitter, assisti a entrevistas impagáveis com técnicos tentando parecer mais inteligentes do que são... enfim... ando em ritmo de copa. E daí que eu tenho tentado recuperar a minha primeira recordação em relação a este campeonato.
Inicialmente achei que minha primeira lembrança era da copa de 90, na Itália. Depois, arrematando as recordações, tive certeza que foi a copa de 86. Isso porque morávamos num sobrado que ficava em frente às comemorações pós jogos. E eu, aos 8 anos, ficava do alto da escada, admirando os enfeites, as bandeirinhas e os desenhos feitos de giz no chão da rua. 
Mas a copa mais marcante foi a de 94.  Tenho lembranças memoráveis de alguns episódios, como a cotovelada do Leonardo no jogador dos Estados Unidos, do gol que o Branco fez nas quartas de final contra a Holanda e na final, quando o Baggio errou o último penalti. Mas essa copa não foi marcante só porque o Brasil foi tetra depois de tanto tempo. Essa copa foi marcante porque eu estava em plena adolescência e quase nunca conseguia sair de casa. Não vou dizer que meus pais eram muito rígidos, mas quando o assunto era balada eles eram um tanto quanto chatos. E o melhor de cada jogo era ir pra farra com anuência dos dois.
Além disso, essa copa significou uma pausa num climão que existia na minha casa naquela época: meus pais estavam no meio de uma crise de relacionamento (e eles acabaram se separando no ano seguinte) e todo mundo vivia tenso, pois qualquer deslize, de qualquer natureza, era motivo de brigas homéricas. Quando meu pai comprou uma televisão moderna só para os jogos da copa e chamou todos os amigos, minha mãe ficou muito indignada. E eu... eu adorei. Lembro da diversão, dos churrascos, da gritaria, da bagunça... dia de jogo era dia de festa, dia de esquecer os problemas, dia de se arrumar, de reunir os amigos e de participar das festas na rua.
Dia de jogo era dia sagrado. Não se dormia direito na véspera, ficava-se muito nervoso durante o jogo e comemorava-se demais ao término de cada um. Depois da Copa, fui para a Esplanada esperar os jogadores chegarem. Eu e Brasília inteira.
Por causa disso, a copa de 98 foi aguardada com intensidade. Mas ficou só na promessa e a única coisa que me lembro é que a França de Zidane foi campeã. E que o Brasil do Fenômeno perdeu na final. Em 2002, no Japão, já não assistia a todos os jogos e lembro de ter visto alguns sozinha, já que aconteciam de madrugada. Se alguém me perguntar da final, eu estaria mentindo se dissesse que lembro de alguma coisa. Só sei que a comemoração foi divertida. A copa de 2006 foi como a de 98: lá no fundo eu queria que o Brasil fosse campeão, afinal de contas, o campeonato anterior tinha sido nosso, mas uma parte de mim sabia que não chegaríamos a lugar nenhum. E mais uma vez a França acabou com a festa brasileira. Lembro que dessa vez eu fiquei chateada, mas não sofri muito.
Eu assisto futebol a cada 4 anos, só em copa do mundo. Confesso que mais uma vez não estou tão segura quanto as possibilidades do Brasil ser campeão e acho até que não passamos das oitavas de final. Mas como sou brasileira e não desisto nunca, já estou com meus patuás e rituais. E torcendo muito para que esse meu feeling esteja completamente errado.
E viva a Copa do Mundo!

Um comentário:

rchia disse...

Vai ser lindo: campeão 0x0 nos pênaltis!