quinta-feira, 1 de julho de 2010

Da série: coisas que dão preguiça

Das coisas que eu mais tenho preguiça de fazer nessa vida, elenco duas agora: ir ao supermercado e abastecer o carro.

Ao supermercado eu vou apenas em última instância, quando um dos itens a seguir acaba: ração do Zeca, água ou papel higiênico. É claro que quando um desses chega ao fim e vou ao mercado, compro todos os itens necessários para o bom funcionamento de um lar. Mas vou só nesses casos.
O meu sofrimento para abastecer o carro é parecido. Hoje em dia, é óbvio que a freqüência das visitas ao posto de gasolina diminuíram consideravelmente. Mas lembro do meu pai sempre pegar no meu pé porque eu só abasteço o carro quando está na reserva da reserva. Vale dizer que não o carro não vive nas últimas, mas para voltar ao posto, só quando está nas últimas de combustível.
Quando se conhece o carro que você dirige, dá pra lidar facilmente com essa rotina de ir ao posto apenas no último suspiro do combustível porque você sabe exatamente até onde ir (bem no estilo, provoque sua sede até não agüentar mais...) Mas quando o carro é novo...
Há três anos troquei de carro. Na saída da concessionária, enchi o tanque e depois de alguns dias a luz do tanque acendeu e neste momento, eu conheci a reserva do meu novo veículo e pensei comigo: "é a hora de testar até onde ela vai!"
E assim fiz, claro, usando como base de comparação o meu antigo carro que não era nem do mesmo modelo e muito menos da mesma marca que o novo. Óbvio que a comparação foi inútil e no retorno para o trabalho depois da soneca de horário de almoço o carro começa a morrer na altura da 7 norte, no eixinho de cima (para quem não conhece Brasília, o plano piloto é cortado pelo Eixão, que tem duas paralelas - o eixo w (eixinho de cima) e o eixo l (eixinho de baixo).
O trânsito de duas horas nessa via não chega a ser caótico mas é bem movimentado. A minha sorte é que do outro do lado havia um posto de gasolina e o meu trabalho seria colocar o carro numa entrada próxima (os eixinhos não possuem acostamento), atravessar a rua, comprar gasolina e pronto!
Mas antes que eu tomasse qualquer atitude, resolvi olhar no espelho retrovisor e foi aí que avistei um ônibus da polícia se aproximando. Se não bastasse o medo que senti de levar uma multa por pane seca, logo em seguida lembrei que minha carteira de motorista estava vencida há 1 semana e as conseqüências disso não poderiam ser boas...
Acho que suava frio e tentava não fazer cara de desespero quando aquele ônibus cheio de policiais parou ao meu lado e o motorista, categórico, falou:
- Tira o carro do meio da rua.
Eu fiz um sinal com as mãos de que não dava e, emitindo um som inaudível, balbuciei:
- Ele não sai do lugar.
Nessa hora, a porta do ônibus se abriu. E meu coração começou a bater acelerado enquanto eu tentava me acalmar jurando pra mim mesma que daria tudo certo: seriam no máximo duas multas, um carro novo no depósito e uma pressão para renovar a carteira...
Ao ver que não apenas um, mas seis guardinhas vinham na minha direção, marchando forte enquanto olhavam apenas para frente, pensei:
- Eles vão tirar na sorte para saber quem vai me multar pelo quê, já achando que tava estampado na minha cara: minha carteira está vencida!
E eles não trocaram uma palavra comigo. No mesmo embalo que vieram marchando como soldadinhos de chumbo, empurraram meu carro até a entrada próxima, se despediram em uníssono, entraram no ônibus, o motorista fechou a porta e foram embora.
E eu... eu fiquei ali respirando aliviada. E levei alguns bons minutos até conseguir levantar, atravessar a rua, comprar o combustível e colocar meu carro pra andar novamente!

Nenhum comentário: