sábado, 9 de outubro de 2010

Sobre a vida e alguns filmes

Na última semana pude conferir dois filmes que, ao menos por mim, eram bastante aguardados: Comer Rezar Amar e Tropa de Elite 2, ambos baseados na vida real. Em tese, eles não tem relação nenhuma e soa até absurdo fazer qualquer tipo de ligação entre os dois. 
Mas posso dizer que a reação que Tropa me trouxe, me lembrou uma cena do Comer Rezar Amar . No filme baseado na vida de Liz Gilbert, tem uma cena que me chamou atenção: a personagem principal, vivida por Julia Roberts, conversa com sua amiga sobre a falta de sentimento que estava tendo pela vida: não tinha sede, não tinha raiva, não tinha paixão, não tinha nada.
E, infelizmente, me identifico com essa questão da personagem com mais frequencia do que gostaria. Um dia desses, em conversa com minha mãe, ela disse que eu sempre fui assim. E que de tempos em tempos eu preciso me movimentar de alguma forma para que essa eterna busca possa me nutrir.  Quando ela falou isso, fiquei um pouco assustada, talvez  porque até então nao tinha me flagrado disso, desses ciclos que me acompanham desde sempre.  Mas quando fiz uma rápida retrospectiva dos meus últimos anos de vida cheguei a conclusão que mãe sempre nos conhece como poucas pessoas.
O histórico de textos recentes desse blog reflete claramente esse momento da vida, em que preciso de algo pra me nutrir e que não sei bem o que (e vale aqui dizer que isso reflete tanto o lado profissional quanto o emocional). E o que posso dizer com clareza no momento é que estou  num momento de busca. Outro dia, conversando com minha analista sobre essa sensação de desorientação (no sentido de não saber pra onde vou, seja lá o que isso significa), ela disse que querendo ou não, essa sensação já é um lugar. E que estar em busca já é um começo e tanto.
Tirando as questões filosóficas que sempre permeiam meus pensamentos e voltando ao inicio do texto, posso fazer um pequeno link entre os dois filmes supracitados e vou explicar o porque: esse é o terceiro filme do Padilha que assisto e posso dizer que eles sempre mexem comigo: não preciso dizer que Tropa de Elite foi um dos filmes que mais assisti na vida e continua sendo um dos que assisto sempre que passa na tv. Outro filme dele que vi é o que retrata a vida do sequestrador do ônibus 174. E este é um filme um tanto quanto seco, pesado e perturbador.
 E hoje, nesse período da vida que ando fazendo as coisas sem muito tesão, fui assistir ao novo filme deste diretor. Confesso que a preguiça quase me fez desistir, mas a certeza de algumas horinhas na Cultura (o que resultou em mais dois livros de Dostoiévski), de boas companhias e de um filme que eu tinha certeza que iria adorar me fizeram vencer a letargia. E é isso que posso dizer sobre Tropa de Elite 2: ele me tirou, mesmo que temporariamente, da letargia. Não vou falar muito sobre a historia, já que estreou ontem e não acho justo com quem ainda não viu a película, mas posso dizer que a raiva, indignação e revolta que senti durante todo o filme e até mesmo depois me trouxeram um pequeno movimento em busca da minha nutrição. E eu sei que essa mobilização de sentimentos é imprescindivel para que eu possa me mover. Agora, se essa sensação vai durar, não sei. Mas valeu a pena para, ao menos, sentir de novo.
Obrigada, Padilha.

Um comentário:

Rolando disse...

oi menina. obrigado pela visita. a foto da formiga não é minha. apareça mais por la e pelo outro blog tambem. bjus.