segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Roda Mundo, Roda Gigante, Roda Moinho, Roda Peão..."

Há pouco mais de dez anos trabalhei como professora de química numa pequena escola na cidade em que nasci. Esta aventura durou apenas um ano por dois motivos: dar aula não é minha praia e eu era praticamente da mesma idade dos meus digníssimos alunos do ensino médio. Apesar de não ter gostado do trabalho em si, posso dizer que, como tudo na vida, aprendi bastante com aquela experiência.
Lembro que eu tinha um carinho especial por dois alunos, ambos no primeiro ano do ensino médio: um deles é filho adotivo do médico que me trouxe ao mundo, que era amigo próximo do meu avô e, talvez por isso, eu gostasse tanto dele. Na época, ele estava saindo de uma fase super complicada, era viciado em drogas, e a gente conversava bastante sobre este assunto, da dificuldade dele em seguir em frente e ao mesmo tempo da vontade de sair daquela furada.
Do outro aluno, não lembrava nem ao menos o nome, mas era um idealista, interessado em aprender, inteligente pra caramba e tinha claro na cabeça dele que faria alguma coisa, quando adulto, para ajudar o mundo. Queria trabalhar em alguma ONG em defesa do meio ambiente ou até mesmo ser bombeiro.  E acho que era isso que me chamava a atenção nele: ele era uma pessoa genuinamente boa. E eu gosto de pessoas assim.
Os anos se passaram e eu não mantive contato com nenhum dos alunos de lá, nem mesmo com esses dois... até o último sábado, quando fui num evento pré-carnavalesco nas ruas de Brasília e enquanto seguia o bloco, ouvi a seguinte pergunta:
- Você já foi professora de química?
Olhei pro lado e reconheci meu ex-aluno idealista, já homem feito, maior do que eu! E disse:
- Nossa! Eu sei que é péssimo dizer isso, mas... como você cresceu! Quanto tempo!
E a gente conversou por uns 10 minutos, acompanhando o ritmo do bloco e, claro, tocamos no assunto do rumo que a vida dele tomou. Antes dele me dizer o que fazia, perguntei:
- Me conta! Você já é tenente do Corpo de Bombeiros? Ou trabalha na WWF?
Ele olhou pra mim surpreso e disse:
- Professora, eu não me lembrava disso! Como é que você lembra disso?
Logo em seguida ele contou que trabalha numa rádio e eu ainda brinquei: "Não é você o responsável por aquela programação brega não, né?" E ficamos rindo.
Depois dessa rápida conversa, nos despedimos e cada um foi ao encontro de seus amigos. E fiquei pensando nesse reencontro e no rumo que a minha vida tomou desde então... na época em que fui professora, estava no segundo ano de UnB e estava claro na minha cabeça que seguiria a carreira clínica na psicologia e, bem... nunca cliniquei na vida. E preciso dizer que, apesar de não estar inicialmente nos meus planos, gosto muito da área de Recursos Humanos, que me dedico desde então. 
E a vida é assim mesmo... fazemos vários planos..."e eis que chega a roda vida e carrega o destino pra lá".
O que importa, de verdade, é estarmos satisfeitos com o que fazemos. E se não estivermos, que nos movimentemos para tal. A vida é curta.

3 comentários:

rchia disse...

São engraçacos mesmo esses encontros. Quando tinha uns 25 anos, virei colega de curso de alemão da minha professora da 3a série!

Bel Lucyk disse...

Que maneiro! =)

Elaine disse...

Eu vivo pensando nessa roda viva... Segue uma parte de uma das minhas músicas preferidas - A Lista (Oswaldo Montenegro)

Faça uma lista de grandes amigos,
quem você mais via dez anos atrás...
Quantos você ainda vê todo dia ?
Quantos você já não encontra mais?

Faça uma lista dos sonhos que tinha...
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre...
Quantos você conseguiu preservar?

P.S: Que bom que vc saiu da minha lista de 10 anos atrás e está de novo na minha lista de convivência diária (virtual, eu sei... mas um dia a gente cria vergonha e vai tomar aquela cerveja...rs)
Bjos querida